Discriminação e preconceito contra deficiente físico em escola do Rio de Janeiro!

Afe…quando isso vai mudar…..recebi o email abaixo e resolvi publicar, com tristeza por perceber que esse tipo de preconceito, a falta de acessibilidade e desrespeito ao deficiente parece que sempre vão existir.

 

Meu nome é Mônica Dutra Fernandes sou mãe de Lucas Dutra Fernandes, cadeirante e portador de Artrogripose e é com grande tristeza que escrevo esse email para expressar minha profunda indignação pelos fatos ocorridos desde que tentei matricula-lo no Colégio Liceu Franco-Brasileiro, localizado na Rua das Laranjeiras 13 e 15 no bairro das Laranjeiras no Rio de Janeiro/RJ .  

No dia 30/08/11 fui na secretaria para fazer a inscrição para uma seleção qualificada como “Sondagem de conhecimentos”, onde além de pagar R$70,00, apresentei um relatório do atual colégio (CEAT) onde Lucas sempre foi bem avaliado e matriculado desde 2 anos. Fui informada que o colégio era adaptado, que inclusive já existia outra criança cadeirante e que não seria impedimento para a vaga. Pediram apenas que eu especificasse no pedido de matrícula (este feito 30 dias antes) para que no dia ele tivesse em sala e mesa adaptada.

No dia 1/10/11 data da “Sondagem de conhecimentos”, somos surpreendidos com a notícia que o Lucas ficaria isolado dos outros concorrentes em uma sala de uma funcionária sem nenhuma adaptação e com no máximo 4m2, gerando um enorme constrangimento para ele, que não entendeu porque não poderia fazer a prova com as outras crianças. Para piorar, foi dada uma prova de 4º ano sendo que a vaga requerida seria de 3º ano. Após 1:30h ele começou a questionar a prova, o que depois ficou comprovado que não era a correta. Sem me comunicar nada lhe deram a suposta versão correta, uma prova com mais de 10 folhas. Após quase 4 horas e extremamente cansado, Lucas desistiu. Ao questionar a coordenadora Liliane fomos informados que não havia muita diferença entre uma prova de 4º e 3º ano.

Como Lucas não foi aprovado, marcamos uma reunião com a coordenadora Liliane e a Cristina conversamos sobre a importância dele estudar perto de casa para sua futura independência, o fato de seu irmão ter sido aprovado e que a maioria dos amigos no condomínio estudam no Franco o que seria ótimo para sua socialização. Sem contar que das 20 vagas oferecidas somente 14 foram ocupadas.

Nesta reunião concluímos que ele deveria ser avaliado em sala de aula com os alunos da sua série.  Apesar de tudo acertado para receber o Lucas (no dia 26/10/11) quando chegamos na sala adaptada não havia mesa adaptada e acabei improvisando com uma dessas mesas antigas que a cadeira é grudada na mesa, mesmo com o caimento contrario ao seu corpo para evitar mais constrangimentos e agora com a sala cheia de alunos. Já não bastasse, na hora do recreio Lucas foi impedido circular pelo colégio, tendo sua cadeira de rodas motorizada DESLIGADA, o que o deixou muito chateado e até chorando o que não é comum. Passou o recreio parado sem podem se locomover.

Depois de passados mais de 20 dias e incontáveis telefonemas sem resposta e sendo passada para vários setores e funcionários o colégio resolveu nos receber com surpreendente notícia dada pelo Sr. Sergio Saraiva diretor administrativo/financeiro que o Colégio Liceu Franco Brasileiro uma instituição de quase 100 anos e mais de 1.000 alunos com mensalidades de 1.000/2.000, não tem estrutura para receber uma criança cadeirante e que seria muito ruim para ela conviver em um lugar sem acessibilidade.  E que o colégio tem sim outro aluno cadeirante na escola, mas esse ficou depois de sua matriculada na instituição, mas que não é o perfil do colégio receber nenhum tipo de criança com necessidades especiais.

Diante dessas terríveis afirmações não me restou dúvidas em ir a uma delegacia e denúncia-lo pela lei 7853/89, onde qualifica com crime negar uma vaga por motivo de sua deficiência. Conforme RO nº 009-07278/2011 na 9º Delegacia de Polícia.

Com toda essa história comecei a ter mais consciência da minha responsabilidade e do dever de não poder me calar diante desses fatos. Quando será que vamos ter o devido respeito? Será que essas pessoas nunca serão responsabilizadas pelos seus atos? Gostaria muito de divulgar e lutar pelos direitos do meu filho e de tantas outras crianças e famílias que diariamente são desrespeitadas nos seus direitos mais básicos.

Não tenho coragem de matricular meu filho nesta escola, mas não gostaria que outras famílias passassem o que a minha passou nos últimos dias.
Me ajudem a mudar essa situação !!!!!!!!!!!!

Mônica Dutra Fernandes

Rio de Janeiro/Rj

Meu telefone é 21 2531-7482

monica.bruno@globo.com

Tenho provas de tudo que esta escrito aqui, inclusive gravações das conversas.

Lucas é uma criança feliz e ativa,  recentemente apareceu em uma reportagem exibida no jornal nacional do dia 01/11/11 sobre Power Soccer, o primeiro time futebol motorizado da América Latina.
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Categorias: PRECONCEITO | 11 Comentários

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11 comentários sobre “Discriminação e preconceito contra deficiente físico em escola do Rio de Janeiro!

  1. ISSO EH UM ABSURDO, EM PLENA ERA QUE ESTAMOS UMA ESCOLA, TRATAR UM ALUNO DESSA MANEIRA…….FALTA DE RESPEITO TOTAL,

  2. Tatiana Guedes

    Monica, esta história é muito triste mas infelizmente comum…
    Qual vai ser a providência que as autoridades vão tomar diante disto, disse que fez um B.O., certo?
    Trabalho em uma Instituição para pessoas com deficiência e todos os meus pacientes (sou fono) estão em idade escolar e a imensa maioria enfrenta problemas deste tipo. Por incrível que pareça, aqui em Niterói a rede pública está muito mais preparada do q a privada; seja em termos de acessibilidade ou capacitação dos profissionais.
    Fico chateada em ouvir histórias como essa pois me preocupa a auto estimae confiança da criança depois de um episódio tão perveso. Vou divulgar a sua história!
    Mantenha-me informada e parabéns por ser uma mãe tão persistente!
    Tatiana Guedes
    tati.s.guedes@gmail.com

  3. Isabel

    Monica,
    Tive o mesmo problema com uma escola na Tijuca(até esqueci o nome dela, fica na Rua Marques de Valença), depois de tudo pronto, levei o Pedro lá, adoraram ele, muito inteligente e tal, prova feita, e a matricula quase paga, ligaram da escola informando que a escola estava adaptada para receber deficientes mentais que andassem, mas cadeirantes infelizmente não…fiquei muito p.! Mas foi até melhor, a rede publica do municipio acolheu o meu Pedro muiiiito bem. É Terrivel!
    Infelizmente esse preconceito é muito real,

  4. Glaucia

    Minha nossa, fiquei estarrecida! Estava pensando em matricular meu filho neste colégio, mas agora, estou tendente a não mais pensar nisso!! Eu acho que você deveria brigar para que seu filho estude nesse colégio sim, apesar do desgaste que vocês estão sofrendo. Infelizmente, é algo que poderá ocorrer nos demais colégios. Temos que lutar por nossos direitos e de nossos filhos. Mas por outro lado, já aconteceu esse absurdo. Entendo que dá vontade de desistir e tudo o mais. Mas para o seu filho esse colégio seria a opção que vem de encontro às suas necessidades e desejos. Muito complicado… Nos EUA isso não existe! Estudei com jovens tetraplégicos, e é comum ver nos parques tipo Disney, cadeirantes e eles são muito bem tratados, dispondo de toda infra-estrutura necessária, inclusive nos meios de transporte. É por isso que somos o que somos. Nesse país não se respeita direitos das minorias. A vocês, minha solidariedade.

  5. sandra

    que absurdo, Deus que me perdoe, isso por que não são filhos dos que fizeram isso com o seu…fiquei chocada ainda existe isso!!! temos tantas informações , até na mídia sobre preconceito, interação social dos deficientes..vc está corretíssima de lutar pelo seu filho!!! eles é que são “deficientes” de amor e humanidade!!!! TEM QUE DIVULGAR ESSAS BARBARIDADES MESMO…acho que foi até bom isso acontecer…Mõnica Dutra é eles que não merecem seu lindo filho lá…

  6. anna paula

    Eu caí aqui pesquisando sobre o Franco, pois estou procurando escolas pros meus filhos. Nem preciso dizer que caiu totalmente no meu conceito, pois pra mim não serve uma escola que não sabe incluir, respeitar e conviver com diferenças.
    Lamentável!

  7. Mara

    Mara
    Que decepção, infelizmente é uma escola que não está preparada para formar nossos filhos para uma sociedade sem preconceitos e discriminação, isso é uma situação muito grave…deixo aqui meu protesto!!!

  8. debora de oliveira rezende

    Procure ver no colégio Batista na tijuca e um excelente colégio e agrega muito bem crianças de todos os tipos de deficiecias as outras…sem o menor preconceito, do maternal ao ensino medio.
    Lamentavel o ocorrido, pois não dá oportunidades das crianças serem generosas e solidarias uma com as outras.

  9. jessica

    eu odeio preconceito contra agente que e portador de defeciencia

  10. Fernanda

    Eu estudo no Franco há quase dois anos, e é verdade isso. Eu vim de uma escola completamente diferente do Franco, ela era inclusiva e pequena, mas eu me mudei pro RJ e fui pro Franco. Eu demorei mais de 1 ano e meio pra conseguir me adaptar, as pessoas aqui julgam muuuito e tem um povinho sem bom senso e idiota mesmo. Eu e meus pais estavam pensando em me colocar no CEAT (eu vou pro 8º ano), até fomos na escola e eu gostei bastante de lá. Mas eu moro longe então não tinha condições (além de outros motivos pessoais). Eu achei um absurdo o que aconteceu com o seu filho… nada comparado há isso, mas vou te contar uma coisa que aconteceu comigo no Franco, mas já passou: bullying. Nada físico, eu acho, (nada grave, quero dizer) pq tinha uma garota q gostava de ficar me empurrando na escada, além de outras “amigas” que gostavam de apontar meus defeitos e dizer q eu não sou bonita… e sabe? essa escola ta pouco se lixando pro bem-estar dos alunos, pra bullying, pra essas coisas… o CEAT da de 1000 à 0 (estou certa?). Hoje a minha situação ta bem tranquila lá, tenho amigas que conquistei e tals, mas não da pra eu esquecer o quão mal eu me sentia todo santo dia desde que eu entrei lá até julho desse ano! Eu sinto muito pelo seu filho!!! Eu não consigo expressar o quão indignada eu fico com essas coisas… ¬¬

  11. .Eu acabei de ser dispensada de um estágio que fiz lá.O que ví em 3 salas foi discriminação de idoso e Nordestino ,como falou a professora ana Cristine dos pais de um aluno que eu adorava ensinar,ela grita muito com os alunos,eles perguntam alguma coisa sobre a matéria ela responde :não sou auxiliar de professor ,não resolva sozinha! e em outra sala de crianças de 5 anos ,uma discriminação porque falaram pra mim que o menino brigava com os outros alunos e o que ví lá não foi nada disto ,aquela criança é discriminada não deixam ele brincar com os outros alunos e ele não tem nenhuma deficiência ,ele estava chorando num canto e eu falei :fala pra tia Sonia o que você quer? ele falou “eu só queria brincar” aí eu falei: venha vamos pegar um monte de brinquedos e voce vai fazer uma Cidade de brinquedos e ele me seguiu não fez nenhuma grossura comigo e ficou brincando com outras crianças.Eles não dão afeto nenhum pelo menos nestas salas em que participei fazendo estágio!Foi decepcionante pra mim ,eu pensava que não existisse isto lá! Eles estão precisando de uma boa supervisora pra visitar as salas todos os dias pra saber o que professores, despreparados e com tratamentos carrascos ,egoístas fazem com as crianças que vivenciei elas choram a mulher nem vê e ficava me humilhando porque eu era auxiliar ! Eu também não aceito discriminação nenhuma e principalmente com crianças! Fica aqui o meu desabafo!Sonia Mello Terminando Formação de Professores!

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